Elogiar e Ensinar a Voar

 

Tenho alunos aqui que são brilhantes. De verdade! Alguns que tem habilidades fora do comum, que pegam tudo com a maior facilidade, que parecem uma esponjinha que absorve todas as coisas, com um aprendizado sem limites! Crianças assim são bem fáceis de elogiar!

Há aqueles alunos que têm muitas dificuldades, mas você vê que se esforçam muito, de forma que você consegue elogiar com facilidade todo o seu esforço. Mas existem aqueles alunos que demonstram claramente que não querem se esforçar de forma alguma. Como é difícil lidar com esses! Por vezes, é difícil ter a sensibilidade mínima necessária para enxergar além das notas e da aparente má vontade em aprender e descobrir algo no qual eles sejam bons e elogiá-los por isso! Como é difícil ter a sabedoria necessária para saber qual gatilho usar para animá-los!

Em uma reunião de pais da escola, uma mãe me contou uma história: a filha dela entrou na escola este ano e começou a ter aulas de flauta. A primeira música que ela estava aprendendo era “Deus é Tão Bom!”. Ela estava treinando em casa em uma noite quando, depois de errar várias vezes, começou a dizer para a flauta: “Eu não vou te tocar nunca mais! Eu sou muito burra e não consigo aprender! Não quero te ver mais!” E jogou a flauta em um canto da casa. A mãe, que ouviu tudo de outro cômodo, cheia de sabedoria, pegou a flauta e começou a tentar tocar a música “Deus é Tão Bom!” sozinha. Ficou tentando, errando por um tempo, até que a filha chegou e disse: “Não é assim, mãe! Deixa eu te mostrar como é!” Ao tentar ensinar a mãe, ela exercitou a música e logo já estava conseguindo tocá-la. Eu agradeci a Deus por ter dado sabedoria àquela mãe naquele momento! Hoje, essa mesma aluna já está na turma avançada de flauta e é uma das melhoras alunas que tenho! Ela pega as músicas com uma facilidade incrível! Só precisou de um pequeno empurrão!

Vou contar outra situação que me aconteceu. No mês de julho, fizemos uma avaliação de todos os alunos para ver quais mudariam para a próxima turma de flauta (temos quatro turmas atualmente). A professora da turma 3 me passou a lista de quatro alunos prontos para passar para minha turma. É sempre bom receber novos alunos, mas eu estava preocupada: um desses alunos sempre pareceu não ter interesse em nada, independentemente da estratégia utilizada. O que eu ia fazer com ele na turma?

As aulas do 2º semestre começaram e esse aluno apareceu na minha turma. Qual não foi a minha surpresa ao vê-lo tão interessado nas aulas, se esforçando bastante para aprender. Então, ao final de uma aula, o chamei em um canto e disse: “Você está de parabéns!!! Você é muito esperto e tem se dedicado bastante! Estou muito feliz com isso! É esse o caminho! Continue firme que você vai longe!”

Pareceu uma coisa tão simples. Era apenas um elogio que eu precisava fazer! No dia seguinte, ele me deu de presente um desenho que ele fez de uma clave de sol. Sorri largamente por dentro e por fora! Agradeci muito e disse que ia guardar com muito carinho o desenho dele na minha caixinha de presentes (que inclusive foi feita pela aluna da flauta que acabei de contar). Ele então respondeu: “E é o primeiro desenho que dou pra senhora!” Pois é, mas esse não foi o último. No dia seguinte, ele me presenteou com outro desenho: dessa vez uma ave em seu ninho. Desde então, ele tem melhorado seu comportamento nas minhas aulas! Ele precisava apenas de um elogio!

Ele não sabia disso, mas aves me representam! Como eu amo as aves! Me sinto um pássaro! Uma frase que amo, do filme Um Sonho de Liberdade, diz assim: “Sei que alguns pássaros não podem viver em uma gaiola. Suas penas brilham demais! E quando eles voam, você fica contente, porque sabia que era um pecado prendê-los!”

Minha oração é para que tenhamos a sabedoria que vem dos Céus para, mais do que ensinar essas crianças, possamos abrir-lhes os olhos para os enormes sonhos que Deus tem para elas! Que possamos colocar em todas elas esse desejo de serem pássaros, de superarem os obstáculos que existem, compreendendo que elas são imensamente capazes de voar cada vez mais alto e mais longe!!!

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Sobre a Autora

A Gisele é natural de São Paulo e se formou em Pedagogia e Ciências Biológicas. Começou a dar aulas na ETAM em fevereiro de 2018. 

 

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