Garotas brilhantes!

 
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Desde que vim para cá, sinto uma preocupação muito grande com as minhas alunas. Aqui as meninas crescem sem muita instrução, há muitos casos de abuso e estupro, muitas têm filhos na adolescência, se casam muito novas e parece que o ciclo só se repete ao longo das gerações.

Há alguns meses senti que Deus estava me incomodando a começar um projeto voltado para as meninas! Não sabia exatamente por onde começar, o que fazer, mas essa ideia sempre voltava à minha mente: “Essas meninas precisam de um ponto de apoio, precisam de orientação, precisam de algo que seja pra elas, precisam de alguém que seja por elas!”

Foi então que compartilhei a minha ideia com a Gabi, missionária que mora comigo. Ela comprou a ideia imediatamente e se animou mais do que eu até! Na mesma época, contei para a minha mãe sobre a minha preocupação. Em uma conversa com uma psicóloga da igreja, ela comentou a esse respeito, e ela então falou a respeito do projeto Garotas Brilhantes desenvolvido pela ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) da Associação Paulista Oeste. E fez ainda mais: encomendou o material de implantação do projeto na Associação e mandou para nós via Sedex! Que bênção foi receber esse material! Deu uma luz sobre as muitas atividades que poderíamos desenvolver!

Conversei também com a minha tia, que é missionária em Moçambique e desenvolve um trabalho maravilhoso com adolescentes e jovens! Ela também me aconselhou e me deu ideias de coisas simples que podem ser feitas para ajudar essas meninas!

Gabi e eu começamos a traçar planos e a buscar os recursos necessários! As outras missionárias se envolveram no processo! Decidimos trabalhar com meninas de 10 a 18 anos. Além das cinco meninas de nossa comunidade, convidamos para participar conosco meninas das comunidades São Bento e Prego, que são as mais próximas de nós (Na verdade, próximas para a nossa realidade aqui. A comunidade do Prego fica há uns 40 minutos de viagem de canoa).

Confesso que me assustei com o número de meninas adolescentes que já são mães, algumas casadas, dentro dessa faixa etária! Só por isso, já imaginei que seria um trabalho árduo e delicado.

Preparamos um espaço para as nossas reuniões, um lugar que fosse só delas! Em nossa primeira reunião, confesso que estava muito nervosa, ansiosa, com medo do que aconteceria. Parecia que um projeto que eu tinha mentalizado tão pequeno, já tomava uma forma muito maior. E se as meninas não viessem? Como elas reagiriam? Iriam gostar? Voltariam para uma segunda reunião? O que exatamente deveríamos dizer ou fazer para alcançá-las e ajudá-las?

Bem, fui para a reunião com o coração apertado! 14 meninas vieram! Era mais do que eu esperava! No meio da reunião, fizemos um momento de pedidos de oração. Cada uma poderia, se quisesse, escrever em um papel aquilo que a estava incomodando, algum problema, algo que quisesse contar a Deus e pedir Sua ajuda. Eu também escrevi meu pedido, e ali eu dizia para Deus que aquele projeto era muito grande para mim, que não daria conta, que precisava da ajuda Dele e da certeza de que Ele estaria comigo.

Não encontro nenhuma explicação para o que aconteceu naquele momento, além do agir sobrenatural de Deus! Enquanto escrevia, uma paz muito grande me inundou, como se todo o desespero, toda ansiedade e preocupação tivessem sidos completamente retirados com a mão! Naquele momento eu senti Deus me dizendo: “Filha, fique calma! Tudo vai dar certo, porque sou Eu que estou no controle!”

Na primeira reunião, convidamos uma pessoa que estava passando uns dias conosco para contar um pouquinho da história dela. Nós não sabíamos dos detalhes de sua vida. Apenas achamos que ela poderia ser uma fonte de inspiração para aquelas meninas. Enquanto ela apresentava seu testemunho, não pude deixar de perceber o quanto o Espírito Santo preparou tudo para que fosse ela a estar ali naquele momento. A história dela tinha muito a ver com a realidade daquelas meninas. Tantos detalhes tristes, mas que permitiam a elas uma imediata identificação.

Desde então, já conversamos com elas sobre a importância de ter sonhos altos e segui-los e os grandes planos de Deus para cada uma delas. Discutimos sobre empreendedorismo e ensinamos a fazer pão. Falamos sobre namoro e sobre os propósitos de Deus para os nossos relacionamentos.

Temos passado bons momentos juntas! Ao todo, 23 meninas já passaram pelo projeto. Algumas delas chegam a caminhar meia hora para ir para a reunião e meia hora para voltar para casa, tudo para participar conosco! É bom criar laços e vê-las pouco a pouco desejando se abrir, compartilhando suas histórias. Algumas são muito tristes, coisas que não gostamos de ouvir e jamais gostaríamos que tivessem acontecido com qualquer pessoa. Outras vezes recebemos um feedback positivo do que temos feito e isso muito nos anima! Uma das meninas começou a plantar pepino e couve para vender e juntar dinheiro. Outra disse para a mãe que gostou tanto de participar do grupo que encontrou motivação para mudar de vida e começar uma nova história. Outras mães já nos agradeceram por esse projeto!

Peço que orem por este projeto! Orem por essas meninas! Só Deus sabe verdadeiramente quantas lutas elas enfrentam diariamente. Orem por nós, missionárias, para que Deus nos capacite para este trabalho. Feridas têm sido abertas e, sinceramente, nenhuma de nós tem formação profissional que nos ajude a saber como fechá-las. Mas sei que, se formos guiadas pelo Espírito Santo, Ele vai nos dar a sabedoria e a capacitação necessárias para ajudá-las a enfrentar essas dificuldades e revelar a elas a possibilidade de uma nova vida em Cristo cheia de luz, alegria e paz verdadeiras!

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Sobre a Autora

A Gisele é natural de São Paulo e se formou em Pedagogia e Ciências Biológicas. Começou a dar aulas na ETAM em fevereiro de 2018. 

 

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