Aprendizados em meio à doença

 

Uma das coisas pelas quais eu estava muito feliz era não ter ficado doente ainda. Nem  gripe tinha pegado! E então, mês passado passei mal! Provavelmente tive uma intoxicação alimentar, que me rendeu vômito, diarreia e febre por dois dias. Nunca tinha ficado internada na vida, mas pra tudo tem uma primeira vez, não é mesmo? Ficar doente nunca é bom; quando se está bem longe da família é ainda pior. Mas até mesmo nesses momentos consigo ver o cuidado especial de Deus para comigo.

Comecei a passar mal no último dia em que estávamos na cidade, no dia em que iríamos embora novamente para a comunidade. Louvado seja Deus que  isso aconteceu aqui na cidade, e não na comunidade, onde não há atendimento médico e a dificuldade para ir até o hospital seria muito maior.  Temos um médico missionário em Barreirinha e que trabalha no hospital. Mais uma bênção de Deus. Ele me atendeu rapidamente, medicou, e me deixou internada em observação.

Minhas companheiras missionárias deram todo o apoio possível, cuidaram de mim naquele momento, ficaram ao meu lado, até “invadiram” o hospital pra uma visita coletiva! Como me senti grata a Deus pela amizade e cuidado de todas elas!

Mas aquele era o dia de ir embora. O barco iria sair por volta das 14h, e eu pretendia sair do hospital antes desse horário para ir embora também. Entretanto, o médico disse que não me aconselhava ir naquele dia, já que seria melhor me recuperar completamente na cidade antes de voltar. Assim, fui obrigada a ficar no hospital, enquanto as demais missionárias voltaram pra comunidade, já que teríamos aula na escola no dia seguinte. Mas Deus nunca abandona Seus filhos, e uma moça da igreja, que tinha me conhecido apenas 3 dias antes, se prontificou a ficar comigo no hospital até que eu saísse.

Mais tarde descobri que ficar na cidade, ideia que eu não gostei muito no início, foi mais uma das formas de cuidado de Deus, já que o gerados da nossa escola havia quebrado, deixando-nos sem energia, e consequentemente, sem água do poço, dependendo apenas da água do rio. Deus, que conhece o fim desde o princípio, já havia preparado tudo para que a situação não piorasse.

Pode parecer estranho dizer que a doença me trouxe reflexões e aprendizados, mas é verdade. Depender de pessoas é algo extremamente difícil pra mim! Mas sinto que Deus tem trabalhado até mesmo isso em mim. Ninguém consegue viver sozinho, dependendo apenas de si mesmo. A dependência de Deus vem em primeiro lugar, mas é preciso aprender a depender de outras pessoas também; a servir e ser servido, quando necessário. Deus espera isso de nós! Me alegro em ver que Deus coloca pessoas em nosso caminho para cuidar de nós nos momentos de maior necessidade.

Fiquei na cidade por mais 2 dias, e então, completamente recuperada, graças a Deus, voltei para casa! Já estava ansiosa para retornar! Ao chegar, de longe já ouvi os gritos: “Tia Gisele chegou!!!” Recebi tantos abraços apertados das crianças, daqueles que esmagam, sabe, e que revelam que sua falta foi sentida de verdade, mesmo em dois dias de ausência... Tantos sorrisos e alunos que diziam: “Tia, nós oramos pela senhora todos os dias!” Dá pra não se emocionar diante disso? Eu particularmente não consigo! Em Seu cuidado infinito, Deus não nos desampara! Ele cuida de cada detalhe e nos mostra que Ele é fiel em cumprir Suas promessas. “Eu o seguro pela mão direita, e lhe digo: ’Não tenha medo, estou aqui para ajudá-lo’” (Isaías 41:13)

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Sobre a Autora

A Gisele é natural de São Paulo e se formou em Pedagogia e Ciências Biológicas. Começou a dar aulas na ETAM em fevereiro de 2018. 

 

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